Coube a mim, a honra de falar em nome da turma de jornalistas que se forma hoje...
E estar aqui em cima, vestidos com a beca e olhando as pessoas queridas que vieram participar com a gente deste momento, faz passar um filme na nossa cabeça.
O ponto de partida dessa jornada que traduzimos “num mundo de sensações” leva a nossa mente de volta ao início: o vestibular. Quanta dedicação aos estudos, quanta renúncia aos momentos de lazer, quanta expectativa pelo resultado, e quanta alegria nas comemorações.
E tenho certeza que muitos de vocês que estão aqui hoje participaram das ovadas no dia do resultado do vestibular. Ver o nome na lista é como ganhar um mundo novo de presente.
Primeiro que a gente precisa ler e reler pra acreditar. Depois tudo fica em câmera lenta e quando a gente percebe já está impregnado de tinta, ovos, farinha e sente uma vontade imensa de gritar e sair abraçando todo o mundo.
Os anos passam, e a etapa da monografia é bem parecida. O trabalho árduo, as renúncias, a expectativa pela nota. No final, o sentimento é o mesmo: de que tudo valeu a pena.
E a cerimônia de formatura é uma oportunidade para reflexão do que passamos entre esses dois momentos: o da matrícula e o do diploma. E é parafraseando um texto de William Shakespeare que deixo minha mensagem.
Um dia aprendemos que...
O jornalismo, independente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista de mentes de corações.
Depois de algum tempo percebemos que o nosso dever é permitir o diálogo e a pluralidade de opiniões.
Aprendemos que a arte de interpretar e descrever o presente nos leva a olhar o passado
e buscar ferramentas que não façam da notícia um mero objeto de consumo.
Começamos a aprender que o mundo não está para ser explicado,
mas para ser compreendido
E que os leitores querem, cada vez mais, histórias humanas e não escândalos políticos.
Entendemos que é nosso papel ter coragem para contestar
E energia para manter a ética.
Aprendemos que muitas vezes a pergunta mais importante em uma entrevista coletiva é: “o que isso vai mudar na vida da população?”.
Descobrimos que a imprensa, às vezes, só olha e ouve o que quer, mas que nós, jornalistas, temos cinco sentidos que devemos usá-los todos.
Porque a inteligência funciona a partir do que tocamos, sentimos.
Depois de um tempo aprendemos que na profissão também temos o direito à ternura e a solidariedade.
Aceitamos que não importa quão boa seja uma pessoa,
Que ela pode nos ferir de vez em quando
e é por isso que devemos escrever as histórias à lápis
Porque ora precisaremos perdoar e passar uma borracha
Ora, nós precisaremos ser perdoados...
Aprendemos que verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.
E que um dia, não precisaremos mais das nossas fontes, apenas de um ombro amigo.
Com os anos, aprendemos nós mesmos a comprar e usar o protetor solar
Porque descobrimos que o sol queima e o tempo passa pra todos.
Aprendemos que não devemos nos escravizar às ferramentas: a internet, o computador, o rádio, a TV
Porque eles são os meios e não o fim do nosso trabalho,
Que é o diálogo social.
Descobrimos que levamos muito tempo tentando descobrir a pessoa que queremos ser
E que vamos sempre querer ser uma pessoa diferente
Por isso, o importante é dar o melhor de si, agora!
Aprendemos que ser flexível não significa ser fraco.
E que não ter partido político não é ser alienado.
Aprendemos que os heróis e os santos são pessoas comuns, mas que enfrentaram os obstáculos e agüentaram as conseqüências.
Aprendemos que ter paciência requer muita prática.
Descobrimos que nossos pais não podem mais resolver os nossos problemas,
E que há mais deles em nós do que supunhamos.
Aprendemos que nunca se deve dizer a ninguém
que os sonhos são insignificantes,
“Sonhos são como Deuses, quando não se acredita neles, eles deixam de existir”.
Um dia descobrimos que todos nós temos medos, e que isso não é motivo de vergonha.
Aprendemos que as palavras são flechas que nunca voltam
E que tem alto poder de destruição.
Descobrimos que a noção de certo e errado é muito limitada para compreender uma realidade,
E que devemos buscar a coerência do que fazemos e falamos.
Aprendemos que as mudanças do tempo ora nos trazem esperança,
ora nos trazem incerteza,
E que o silêncio pode ser o melhor caminho para compreender o mundo.
Descobrimos que não basta saber amar,
mas que também devemos nos entregar a grandes paixões.
Que não existe uma única porta, e, que às vezes será preciso entrar por uma janela
Aprendemos que não devemos ser como os caminhos,
cujo único destino é deixar as pessoas passarem
Descobrimos que cada amanhecer é uma nova página
Para uma grande história
Percebemos que a vida tem valor
e que nós temos valor diante da vida!
Um dia descobriremos que nossas dúvidas foram traidoras,
Por causa delas, deixamos as oportunidades passarem
Pelo simples medo de tentar.
Durante o tempo que passamos como alunos da UnB,
aprendemos que ser jornalista não é apenas uma profissão
é um estado de espírito
Com menos glamour do que imaginávamos ao entrar.
Que não é só informar
Mas temos importante papel social
E que exige empenho, conhecimento da realidade do mundo
e acima de tudo:
paixão pela profissão.
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