
Olho fixamente para o telefone, esperando tocar. Não toca. Sou incapaz de ligar. Mas, continuo querendo ouvir aquela voz perguntando sobre o meu dia.
Às vezes pronta pra sair, me visto e me pinto de musa. O desânimo me despe. Penso que daqui a um tempo a balada perdida será irrelevante. Me refugio nos lençóis. Os devaneios me fazem adormecer. Acordo de madrugada pensando que deveria ter ido.
Faço coisas por teimosia. Sou orgulhosa demais pra me arrepender. Há sempre uma justificativa. Dizem que me faço de vítima e que seria uma boa advogada.
Me gabo que sou paciente. Um dia desses atirei objetos contra a parede.
Me abasteço de poesia. Esqueço que são necessários momentos de pausa.
Por preguiça, desligo o despertador. Todos os dias saio de casa atrasada.
Meus sapatos estão espalhados pelo quarto. As roupas em cima da cama. Tem horas que a bagunça é aconchegante. Tem horas que não tem mais como conviver com ela.
Me programei para assistir um filme, mas dormi durante a sessão.
Queria respostas. Mas, fiquei sentada na frente do computador. O google não sabe de tudo.
Guardei minha carência numa caixa bem escondida. Não liguei nem pra um, nem pra outro. Mais uma vez me fingi de forte. Às vezes funciona. Mas, nunca vi ninguém engar-se a si mesmo por muito tempo. Daqui a pouco é capaz que eu pegue o telefone.
Um comentário:
E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Amo-te
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