sábado, 5 de janeiro de 2008
Efemeridade
Eu não queria que ele chorasse. Mas, era seu pai. Se foi. E ele longe do pai. A obrigação de voltar confrontava-se frontalmente com a vontade de esquecer os problemas. Eu tentava ser uma boa companhia. Pra mim é muito difícil ser forte nessas horas. Na outra encarnação é bem possível que eu tenha sido uma carpideira, sabe aquelas mulheres contratadas para chorar em enterros!? Naquele elevador quente eu olhava pra cima pra não encará-lo e cantarolava baixinho. Tree little birds... Every little thing is gonna be alright... Meus olhos marejados estavam fixos no teto do elevador. Os olhos dele cheios de dúvida estavam fixos em mim. Agarrá-lo ali e enche-lo de beijos não adiantaria nada. Só sabe a dor de perder um pai quem já perdeu o pai. Então, eu continuava cantarolando. Do décimo ao térreo parecia uma viagem. Despedi e ele correu pro aeroporto. De volta ao quarto chorei na enorme cama vazia. No fim da tarde o telefone tocou. Não tinha vôo. Ele tava de volta. Eu só queria fazer amor e fazê-lo esquecer do resto. Ele quis apenas ficar de conchinha.
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